Estar bem posicionado para avançar a atuação proposta não significa garantir sucesso futuro nem apenas reunir um currículo extenso. O segundo critério do EB-2 NIW examina a relação entre a pessoa, seu histórico, o plano, o progresso e o apoio ou interesse de terceiros, com base no conjunto das evidências.
Estar bem posicionado no EB-2 NIW significa demonstrar que a pessoa tem condições concretas de avançar a atuação ou o projeto profissional que propõe desenvolver nos Estados Unidos. Não é uma exigência de garantir o sucesso final. Também não se resume a apresentar um currículo longo, diplomas, cartas ou um plano ambicioso.
O segundo critério de Matter of Dhanasar considera fatores como formação, habilidades, conhecimento, histórico de sucesso em esforços relacionados, plano para atividades futuras, progresso já alcançado e interesse ou apoio de clientes, usuários, investidores ou outras entidades. A USCIS examina esses elementos no conjunto e em relação ao projeto específico.
Essa ligação é decisiva. Uma conquista pode ser relevante em termos profissionais e, ainda assim, ter pouco valor para demonstrar capacidade de executar uma atuação diferente. Do mesmo modo, uma proposta detalhada pode explicar objetivos sem provar que a pessoa tem experiência, recursos, apoio ou progresso compatíveis.
O segundo critério muda o foco do projeto para a pessoa
No primeiro critério, a pergunta central é se a atuação proposta possui mérito substancial e importância nacional. No segundo, o foco passa para a pessoa: o que mostra que ela está posicionada para avançar esse trabalho?
Essa mudança impede dois atalhos. A importância de um setor não prova a capacidade individual. E um currículo de destaque não prova, sozinho, que a atuação proposta possui importância nacional. Os critérios se relacionam, mas respondem a perguntas distintas.
Por isso, a análise precisa começar com uma atuação bem definida. Se o projeto é descrito apenas como “trabalhar na área de tecnologia” ou “contribuir para a saúde”, não há referência suficiente para avaliar se a formação, a experiência e as demais provas realmente apoiam sua execução.
Diplomas, certificados, licenças, treinamento e competências técnicas podem demonstrar preparo. O peso de cada item depende do que a pessoa pretende fazer.
Uma formação avançada na mesma área do projeto pode mostrar domínio técnico. Uma licença pode ser necessária para executar determinada atividade regulada. Conhecimento interdisciplinar pode ser relevante quando o projeto combina campos diferentes. Nenhum desses elementos, porém, funciona como aprovação automática.
O mesmo documento pode ter funções distintas. Um diploma pode ajudar a demonstrar a base da classificação EB-2 e também fornecer contexto para o segundo critério. Isso não elimina a necessidade de explicar como a formação prepara a pessoa para o trabalho específico nem resolve os demais critérios do NIW.
Histórico de sucesso vale pela conexão, não apenas pelo prestígio
Matter of Dhanasar cita o histórico de sucesso em esforços relacionados ou semelhantes. A palavra “relacionados” é importante. A USCIS não analisa o passado apenas para premiar uma carreira. Ela busca sinais de que a pessoa pode avançar a atuação futura.
Projetos concluídos, resultados documentados, publicações, adoção de métodos, liderança, produtos desenvolvidos, responsabilidades críticas, prêmios ou reconhecimento podem ter relevância. Para isso, o pedido precisa explicar:
Uma lista de cargos ou honrarias sem essa ponte pode mostrar prestígio, mas não necessariamente posicionamento para a atuação proposta.
O plano mostra o caminho, mas precisa de apoio
Um plano pode esclarecer objetivos, etapas, público, parceiros, recursos, cronograma e meios de execução. Ele ajuda a transformar uma intenção ampla numa proposta compreensível.
O Policy Alert PA-2025-03 da USCIS também estabelece um limite: planos de negócios e descrições semelhantes devem ser apoiados por outras evidências independentes. O documento não se torna prova de suas próprias projeções apenas porque apresenta números e metas em formato detalhado.
Essa regra não significa que toda pessoa precisa apresentar um plano de negócios. Uma pesquisa acadêmica, uma atividade profissional ou um projeto institucional pode ser explicado por documentos adequados à sua natureza. O ponto é que objetivos futuros precisam encontrar suporte em fatos verificáveis.
Progresso ajuda a mostrar que a proposta saiu do plano abstrato
O progresso em direção à atuação é outro fator citado por Dhanasar. Dependendo do projeto, ele pode aparecer em protótipos, estudos concluídos, acordos, licenças, pilotos, recursos obtidos, parcerias, resultados iniciais, contratos, adoção por usuários ou outras etapas documentadas.
Nem toda atuação estará no mesmo estágio. Um projeto pode ser recente e ainda assim apresentar base técnica, planejamento e apoio relevantes. A análise não exige que a atividade esteja concluída. Ela busca entender se existe uma passagem plausível entre intenção e execução.
Progresso também precisa ser interpretado com cuidado. Abrir uma empresa, registrar uma patente ou assinar um documento pode ser um passo real, mas não demonstra sozinho a viabilidade de todas as projeções nem a importância nacional da atuação.
Interesse e apoio de terceiros podem corroborar a execução
Clientes, usuários, investidores, instituições, parceiros, agências governamentais ou outras entidades podem demonstrar interesse ou apoio. Esse tipo de evidência pode ajudar a mostrar demanda, utilidade, recursos, acesso a infraestrutura ou confiança na capacidade da pessoa.
O conteúdo importa mais do que o rótulo. Uma manifestação genérica de apoio tem valor diferente de um contrato, um financiamento, uma carta que descreve conhecimento direto de resultados, ou prova de que terceiros já usam o trabalho desenvolvido.
O PA-2025-03 cita, entre outros exemplos:
apoio monetário ou não monetário de entidades governamentais relevantes
contratos com empresas que usam produtos desenvolvidos pela pessoa
documentos mostrando uso de tecnologia que ela inventou ou ajudou a desenvolver
patentes ou licenças acompanhadas de prova de sua relevância para o campo
Esses exemplos não formam uma lista obrigatória. A natureza da atuação determina quais sinais de interesse e apoio fazem sentido.
Cartas podem ajudar, mas não substituem a evidência
Cartas de especialistas ou entidades podem explicar a contribuição da pessoa, seu papel em projetos e a relação entre suas realizações e o trabalho futuro. Segundo a orientação da USCIS, elas podem ser persuasivas quando os autores:
têm conhecimento direto das realizações
descrevem essas realizações de modo específico
explicam com exemplos por que a pessoa está bem posicionada
apoiam as conclusões em evidência independente
Uma carta que apenas repete os critérios jurídicos ou elogia o currículo tende a esclarecer menos. Quantidade também não resolve a falta de conteúdo. O valor está na base factual, na especificidade e na conexão com as demais provas.
Cartas serão sempre avaliadas dentro do conjunto. Elas podem contextualizar documentos técnicos ou explicar um papel que não aparece claramente num contrato, publicação ou registro. Não devem ser tratadas como substituto automático desses documentos.
Não é preciso provar que o projeto certamente terá sucesso
Matter of Dhanasar reconhece que prever viabilidade e sucesso futuro é difícil. Inovações e iniciativas empresariais podem falhar mesmo com planejamento inteligente e execução competente. Por isso, o precedente não exige demonstrar que a atuação, ao final, tem probabilidade superior a 50% de alcançar todos os seus objetivos.
O limite é igualmente importante: essa incerteza não elimina o ônus da prova. A pessoa ainda precisa demonstrar, por preponderância das evidências, que está bem posicionada para avançar o projeto. Alegações sem suporte não bastam.
Em termos práticos, a análise não pergunta “o sucesso é garantido?”. Ela pergunta se a formação, o histórico, o plano, o progresso e o apoio documentado tornam mais provável que a pessoa esteja preparada para levar a atuação adiante.
O conjunto vale mais do que um documento isolado
O PA-2025-03 orienta os oficiais a considerar a totalidade das circunstâncias. Dhanasar também relaciona a preponderância não apenas à quantidade, mas à qualidade, relevância, credibilidade e valor probatório das evidências.
No próprio precedente, vários elementos se reforçaram: graus acadêmicos relacionados, experiência em pesquisa, desenvolvimento de modelos, papel significativo em projetos, cartas detalhadas, interesse de pares e órgãos públicos e financiamento reiterado por entidades governamentais. A decisão não transformou nenhum desses fatos, isoladamente, em regra universal.
Uma análise consistente, portanto, evita procurar o “documento mais forte” fora de contexto. Ela pergunta como as provas se conectam:
Qual aspecto da capacidade da pessoa cada documento demonstra?
A informação é específica, verificável e coerente com as demais provas?
O fato se relaciona à atuação proposta, ou apenas à profissão em geral?
As projeções futuras possuem alguma corroboração independente?
O que não basta sozinho
Nenhuma fonte oficial estabelece que um destes elementos, isoladamente, resolva o segundo critério:
diploma ou título acadêmico
muitos anos de experiência
cargo de liderança
publicação, citação ou patente
prêmio ou associação profissional
plano de negócios
empresa aberta nos Estados Unidos
carta de recomendação
contrato ou manifestação de interesse
promessa de resultados futuros
Cada item pode ter valor quando autêntico, relevante e ligado à atuação. A conclusão nasce do conjunto, não da presença mecânica de uma peça.
Estar bem posicionado não encerra o NIW
O segundo critério não substitui os demais. A atuação ainda precisa ter mérito substancial e importância nacional. Depois, o pedido precisa demonstrar que, no balanço do caso, seria benéfico aos Estados Unidos dispensar a oferta de emprego e a certificação laboral.
Também é necessário comprovar primeiro o enquadramento na categoria EB-2. Mesmo quando os três critérios são demonstrados, a concessão do NIW permanece discricionária.
Por isso, “bem posicionado” não deve ser lido como sinônimo de currículo excepcional, projeto garantido ou aprovação provável. É uma conclusão probatória específica sobre a capacidade de avançar uma atuação igualmente específica.